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Sobre

🔥A fagulha em nós🔥

Bêbad@s, degustador@s, boêmi@s e ativistas. Vagabund@s, trabalhador@s, mixólog@s e puristas…
A molotov pisa devagarinho, pede licença e te pergunta: Tem fogo?
O plano é simples: nós trazemos a Molotov e você acende o pavio dessas micro-revoluções diárias. Incendiar o mercado, pôr abaixo os tapumes da área de serviço e expormos, de cabo a rabo, as cadeias de produção – inclusive as nossas

Como são feitas as cervejas que nós consumimos? Tomemos como exemplo uma cerveja industrial (sim, nós também as bebemos!). Dessas produzidas em mega escala, pensemos em sua produção. Quem dá o suor, quem sai ganhando? Com quais ingredientes ela é feita? Como e por quem ela é produzida, avaliada, envasada, transportada, estocada, atravessada, fiscalizada, divulgada, vendida, taxada e servida? Com quem é consumida e como é apreciada? Quais compostos químicos a constituem e como eles nos afetam? E onde descartam os resíduos, para onde vai o que já perdeu sua utilidade? E de onde e para onde vai o dinheiro, por que mãos ele passa e em que mãos ele para? 🤔

Mundo cheio de mistérios, cada gole nos esconde milênios de história. Cada copo carrega em si uma rede presente de milhares de quilômetros, centenas de objetos e uma multidão de sujeitos. Cada garrafa tem uma vida, uma gênese e um fim. Na multiplicidade do todo e na incessante complexidade do produzir, falemos do singelo nós. Quem é a Molotov…

A Molotov nasceu da união de três coletivos cervejeiros, com mais de dez anos acumulados de produção caseira. Nos juntamos para mudar o entorno: gerar autonomia através da produção de cervejas de qualidade a preços acessíveis e difundir conhecimento cervejeiro. Nossa pequena guerrilha cervejeira sonhava em acabar com a tirania dos grandes grupos. Depois de quase dois anos produzindo em garagens sob a égide da resistência urbana, refletindo sobre técnicas, políticas e receitas, percebemos a dura realidade: regularizar ou morrer na praia

Regularizar uma marca no mercado cervejeiro, para quem não tem muita grana, quer dizer ciganear. E ciganear quer dizer alugar uma fábrica – seus equipamentos, funcionários e licenças – para produzir uma receita própria. Nosso mestre-cervejeiro já trabalhava há um ano como funcionário de uma fábrica de cerveja na Zona Norte do Rio. Daí, foi um passo. A procuramos para produzir o que talvez seja a primeira leva de molotovs da História com o aval do Estado. Para nós, essa decisão não foi fácil. Apesar de termos consciência que a verticalidade e assimetria do mundo do trabalho já permeava nossa cadeia produtiva (nos insumos, nos equipamentos, na água, na energia etc.) nos “redimíamos” com uma simples ideia: na hora de exercer a atividade-fim (ou seja, converter tudo isso em cerveja e mandar goelas abaixo) estabelecemos entre nós relações horizontais e alegres de trabalho, sem patrões nem funcionários, buscando autogestão dentro de nosso coletivo e apoio mútuo com pessoas no entorno

Mas não havia redenção: nos frustrava a incapacidade de distribuir nossas cervejas e propostas e assim fechar as contas, ainda mais sob a constante ameaça de perder produto e equipamentos. A clandestinidade nos dotou de muito conhecimento e jogo de cintura. Nos tornamos PhD em gambiarras. Muita ralação, improviso e domínio sobre a cadeia produtiva. E fomos ampliando nossas searas de operação: da moagem de grãos à arte da solda; de ciências contábeis aos sistemas de refrigeração; de escapar da SEOP à microbiologia cervejeira. E, claro, como nos relacionar com vocês, bêbad@s e degustador@s do nosso coração. Nós te amamos, a tod@s vocês 

As contradições são muitas, inerentes ao caminho. Mas essa “fase cigana” da Molotov tem um objetivo claro: retornar à nossa querida garagem, onde somos reis e operários, com pequenas alterações de escala e licenciamento. Almejamos um centro de produção onde os próprios funcionári@s sejam também don@s da fábrica; onde as tomadas de decisão contem com a participação de tod@s, inclusive de vocês, vândal@s que teimam em esvaziar as garrafas e utilizá-las de maneiras controversas. Como, digamos, vasos de flores, por exemplo…

Para chegar lá, percebemos ser necessário esse passo, de nos tornarmos ciganos. Ampliamos a produção, aumentamos vazão e procura, nos capacitamos e assim preparamos o salto para uma produção própria, mais horizontal, coletiva e autogestionária. Uma fábrica experimento, oxalá, para novas relações de produção, nas quais teimamos em acreditar

Entre o futuro e o agora, há o caminho. O presente, com suas angústias e esfinges nas encruzilhadas, prontas a nos devorar. O terrível saber que por vezes nossos sonhos não cabem em nossas planilhas. Há contradições, dúvidas, erros e acertos. Mas o que nos importa é caminhar, especialmente se for a trilha menos usada. Ousar errar. Sempre

Então, resumindo, é isso: A Molotov produz, fornece e consome cerveja. Produz porque acredita no poder da autonomia e da emancipação de pequenos coletivos através da co-suficiência. Fornece porque crê nessa bebida milenar, magia profana e poção sagrada. Consome porque defende o direito inalienável dos povos ao lazer. E existimos porque contamos com a transformação coletiva da consciência como ponto de partida para fermentar novos mundos. Porque uma só fagulha pode colocar o circo todo em fogo 🔥🔥🔥

Tempos turbulentos virão. Se não pudermos beber, não será nossa revolução. Já lançou sua Molotov hoje?